segunda-feira, 2 de julho de 2012

Folha de Londrina - 02/07/2012

 
 

02/07/2012 -- 00h00

O Bosque como palco da arte

Manifestação defendia o uso dos espaços públicos para apresentações culturais sem o pagamento de taxas
Saulo Ohara
Artistas do grafite também participaram da ação no Bosque; local foi escolhido propositadamente pelos organizadores
Artistas de rua se reuniram ontem à tarde no Bosque Marechal Cândido Rondon (Centro) para uma manifestação cultural. As apresentações visavam convocar a população para participar de uma audiência pública que acontecerá na quarta-feira, às 18h30, na Câmara Municipal de Londrina. O ator Rogério Costa, ator do grupo de teatro Ás de Paus e integrante do Movimento Artistas de Rua de Londrina (MARL), explicou que eles reivindicam o direito de se apresentar livremente em espaços públicos. Atualmente a prefeitura cobra uma taxa dos artistas, que varia de acordo com a dimensão do local requisitado e do número de pessoas que pode participar do evento. Além disso eles criticam a demora de até 30 dias para se conseguir uma autorização para uma apresentação em um espaço público.

''Pela Constituição nós temos o direito de utilizar os espaços públicos para nos manifestarmos. Nós não queremos embate com ninguém, apenas queremos reconquistar um direito que já é garantido pela Constituição'', afirmou. O ator Danilo Lagoeiro, integrante do MARL, informa que o movimento não ficará restrito à área central. ''A intenção é levar essas manifestações artísticas para a periferia também'', explicou. No entanto, com a exigência da taxa e a demora para se conseguir a autorização, fazer isso não é uma tarefa fácil. ''Nós ainda não tivemos problemas, mas em São Paulo já houve casos de artistas de rua serem detidos pela polícia. Então a ação de hoje é mais preventiva'', declarou.

Para o ator Alexandre Simioni, do grupo Triolé Cultural, o artista de rua é um disseminador da cultura a custos baixos, uma vez que não cobra nada da população, mas aceita contribuições voluntárias ao final dos shows. ''Paga quem tiver condições e quem quiser'', argumentou.

O MARL foi criado no início deste ano e reúne diversos grupos teatrais e de outras classes artísticas com o objetivo de fortalecer os artistas quando forem realizar solicitações como essa. Na manifestação de ontem foram realizadas oficinas de teatro, apresentações musicais, circenses, teatrais, além de demonstrações de técnicas de grafitagem.

O pedreiro José Carlos Fagundes não escondeu a satisfação por ver o Bosque ocupado por atividades culturais. Ele ressaltou que o local é um espaço de convivência da família que a cidade não pode perder. Fagundes acompanhou atentamente cada apresentação musical e foi conferir de perto os desenhos realizados pelos grafiteiros. ''Espero que meus filhos e netos possam continuar vendo essas atividades aqui.''

O ator Alexandre Simioni, do grupo de teatro Triolé Cultural, afirma que a escolha do Bosque para a realização das atividades foi proposital. ''Hoje o Bosque tem um significado especial para londrinense depois que a prefeitura manifestou a intenção de abrir uma rua aqui.''

Revitalização

Na semana passada a prefeitura retirou o projeto de revitalização do Bosque da solicitação de recursos encaminhada ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A Justiça já havia determinado que a prefeitura fizesse a recuperação do local sem a abertura da rua. O jornalista Márcio Augusto Rocha, do movimento Ocupa Londrina, relembrou que desde o dia 11 de novembro do ano passado, dia em que a prefeitura derrubou as árvores e retirou os equipamentos do local com a intenção de devolver o trecho da Rua Piauí, o local não passa por um processo de revitalização. Ele explicou que o movimento Ocupa Londrina se uniu ao MARL com o intuito de transformar o Bosque em uma área de lazer e cultura.

Esta também é a opinião de Gustavo Góes, da ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE), que destaca que no mundo inteiro existe a preocupação da preservação de áreas históricas das cidades, transformando espaços antes destinados para carros em áreas para as pessoas.
Vítor Ogawa
Reportagem Local

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